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A Palavra do Bispo
Recentemente tive a graça
de presidir uma Eucaristia animada pela Infância Missionária. Foi uma
maravilha pelo Mistério da presença viva de Jesus, mas também, pela
vibração dos adolescentes e crianças. Ao final da celebração, um deles,
com ternura e seriedade, me falou: “Bispo, como é bom ser missionário!”.
Nos primeiros dias de maio, Pe. Luiz André e eu participamos do 2°
Congresso Missionário Nacional, em Aparecida, Tema: “Do Brasil de
batizados ao Brasil de discípulos missionários sem fronteiras”. Foi uma
bênção! Mais de 600 participantes (bispos, padres, diáconos,
seminaristas, consagradas, leigos e leigas) de todos os Estados do País,
num clima de oração e reflexão, buscando motivações e pistas concretas.
Os testemunhos foram empolgantes.
Em sintonia com a proposta lançada pelo Papa Bento XVI, confirmada pela
Conferência de Aparecida e retomada no Congresso Missionário (uma Missão
Continental e Permanente em toda a América Latina), nossa Diocese está
vivendo a fase de Conscientização e Formação dos Missionários (as), em
vista da realização da Missão que acontecerá no ano próximo, como
preparação ao Jubileu de Ouro da Diocese.
A dimensão missionária exige uma profunda Conversão Pastoral pessoal e
comunitária.
Primeiro, trata-se de valorizar tudo de bom (é tanta coisa!) que já
existe dentro de nossas comunidades. Segundo, é preciso descobrir novas
motivações e criar estruturas evangelizadoras capazes de implantar os
sinais do Reino de Deus em todos os corações e ambientes, sobretudo onde
ainda o anúncio do evangelho não chegou ou é muito superficial.
Depois de bastante oração, reflexão e encontros, está sendo elaborado um
Projeto Geral a ser assumido e concretizado pelos Regionais, Paróquias e
Comunidades. Ele encontra eco também nas iniciativas que provém da
comemoração do Ano Paulino, que lembra os 2000 anos do nascimento do
Apóstolo São Paulo, e do Ano Catequético que pretende tomar conhecido e
pôr em prática o processo do Diretório Geral de Catequese.
É necessário observar que a Santa Missão Permanente não vai
constituir-se num trabalho paralelo às nossas Pastorais. É como a
locomotiva que puxa todo o Plano Pastoral Diocesano. Está integrada e
presente, como o sal nos alimentos e o fermento na farinha, na realidade
das diversas Pastorais, Movimentos, Associações e Serviços da Diocese.
Envolve todas as forças da Igreja que, em cada um dos seus membros, é
permanentemente missionária. Todos, pois, devemos ter consciência de
nossa missionariedade, partilhando alegrias e esperanças no caminho da
fé, do amor e da vida.
Será igualmente uma oportunidade excelente para valorizar a própria
comunidade e incentivar o protagonismo dos Leigos (as), formados para se
tornar sujeitos da evangelização, e não simplesmente tarefeiros ou meros
executores de ordens. Um padre, em cuja paróquia aconteceu no ano
passado a Santa Missão, me confidenciava: “A auto-estima e a alegria dos
católicos missionários, ao sentir-se verdadeiramente co-responsáveis
pela sua Igreja, foram a maior graça”.
Nossas estruturas paroquiais e comunitárias necessitarão sofrer, sem
dúvida, profundas mudanças. Por exemplo, em vez de limitarmos a esperar
que os fiéis venham, necessitaremos sair para levar a Boa Nova em todos
os ambientes. Será tempo de realmente “gastar muita sola de sapato com a
santa e simpática cara de pau”.
Percebemos e sentimos que a realização da Santa Missão é um projeto
maravilhoso e totalmente conforme ao desejo do Senhor e da Igreja. Ao
mesmo tempo temos a convicção que não será fácil, pois implicará a ação
de muitos corações generosos. Ressoam aos nossos ouvidos as palavras de
Jesus: “A messe é grande e os operários são poucos. Orem ao Pai para que
enviem mais operários para sua messe”.
Rezemos, portanto, nesse período de Formação, a fim de que muitos (as)
Católicos (as) se comprometam com a mesma. O sucesso de uma tarefa
depende, em grande parte, de sua boa preparação. Assumamos, com
generosidade e alegria, o que freqüentemente cantamos: “Eis-me aqui,
Senhor, eis-me aqui, Senhor, pra fazer tua vontade, pra viver do teu
amor!”.
O exemplo de Santo Antônio, nosso humilde e grande Padroeiro, nos anime
a sermos discípulos missionários da Vida, da Fé e da Paz!
D. Luciano Bergamin
Extraído do Jornal
Caminhando, de junho 2008 |