Plano Diocesano de Pastoral

APRESENTAÇÃO

Com alegria e satisfação apresento aos diocesanos o novo PLANO DIOCESANO de PASTORAL, que norteará nossos trabalhos e atividades no triênio 2012 - 2014. Ele dá continuidade, no conteúdo e no processo, aos grandes momentos que a Diocese já viveu no decorrer de sua existência e missão, passando pelo Sínodo Diocesano e pelas Assembleias Diocesanas anteriores. Ao mesmo tempo, porém, procura responder aos novos desafios próprios da etapa histórica que vivenciamos.

Tem como pano de fundo as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora no Brasil (DGAE), elaboradas neste ano de 2011, e pretende focalizar a vida e missão das nossas Comunidades Eclesiais de Base, destacando três dimensões fundamentais: o Perdão, a Participação e a Festa.

Este Plano é resultado do trabalho e do esforço comum, a partir da avaliação dos 50 anos de existência da Diocese e das reflexões feitas sobre o tema central da Assembleia Diocesana.

Percebemos que a vivência das CEBs com seus valores de perdão, participação e festa é um desafio constante, e que não existe outra forma de vivenciar o Santo Evangelho senão tendo como base a experiência vivida nas CEBs.

Desejo profundamente que nosso novo Plano Diocesano de Pastoral seja acolhido carinhosamente, assumido conscientemente e levado avante por todos com fidelidade, coragem e perseverança. A unidade de pensamentos e ações dará maior credibilidade e eficácia à ação pastoral e à missão permanente.

Tenho certeza que muitos serão os frutos de bem, pois poderemos renovar e atualizar o ideal das primeiras comunidades cristãs onde havia "um só coração e uma só alma voltados para Deus" e onde "ninguém passava necessidades".

Assim conseguiremos ser sinais e testemunhas do projeto de Deus que deseja vida plena e eterna para todos seus filhos.

Que o Senhor abençoe nossos bons propósitos, pela intercessão da Mãe Maria e de Santo Antônio.

Dom Luciano Bergamin
Bispo diocesano


INTRODUÇÃO

O tema da Assembleia Diocesana 2011 é fruto do ano missionário, que serviu como preparação para a celebração do Jubileu de Ouro de nossa diocese, conforme os caminhos propostos pela última Assembleia Diocesana de 2007. A missão realizada no âmbito de nossas comunidades foi decisiva para repensarmos acerca da vida de nossas comunidades. Percebemos que havia necessidade de um olhar para dentro da comunidade, para podermos conhecer como estamos; com quais recursos humanos podemos contar e que tipo de comunidade queremos ser. O texto da carta de São Paulo aos Filipenses 2,5: "Tenham em vocês os mesmos sentimentos que havia em Jesus Cristo", nos levou a perceber que as nossas comunidades devem ser orientadas a partir da vida de Jesus Cristo.

O Conselho de Pastoral entendeu que era impossível fazermos uma análise real das comunidades, sem ouvir as bases. Aproveitou, portanto, as assembleias que as comunidades fazem de avaliação e planejamento no final do ano e enviou um questionário abrangendo cinco aspectos da vida de nossas comunidades: Celebrativo, Formativo, Social, Missionário e Administrativo. Estava assim começando a nossa assembleia diocesana. Nesse período foram realizadas as escolhas das novas coordenações dos regionais, das paróquias, das comunidades, grupos e pastorais. E no mês de março de 2011 houve a convocação do Grêmio eleitoral para a escolha dos serviços de Vigário Geral e Pró-vigário e do Coordenador e vice de Pastoral. No dia 09 de abril em uma celebração eucarística, todas as coordenações diocesanas, regionais, paroquiais, comunidades, grupos e pastorais, foram enviadas e assumiram essa importante missão de serviço à Igreja.

A equipe organizadora, escolhida pelo Conselho de Pastoral, remeteu o resultado dos relatórios às comunidades divididos em três aspectos: comunidade como lugar de Perdão, Participação e Festa. No final de cada item deveriam ser apontadas as prioridades para a Diocese nos próximos três anos. O material que chega às nossas mãos neste momento é fruto de todo esse processo de construção, onde houve a participação ativa e efetiva de nossas comunidades. Orientada pela Palavra de Deus e pelas novas Diretrizes de Evangelização da Igreja no Brasil, queremos ser uma Igreja sempre mais presente, atuante e solidária com os mais pobres em meio à desafiante realidade que nos cerca.

Pe. Geomax de Jesus
Coordenado de Pastoral


TRAÇOS MARCANTES DA DIOCESE, QUE NÃO DEVEMOS PERDER

Nossa Diocese, fiel a Deus, à Igreja e ao Povo da Baixada, durante seus 51 anos de missão, procurou viver conforme os ensinamentos da Palavra de Deus e os exemplos de Jesus Cristo.

Marcos expressivos nesta história de fé e vida foram o Concílio Vaticano II, os Documentos dos Papas, as Conferências da Igreja da América Latina, as Diretrizes Gerais da CNBB, o Sínodo Diocesano e as Assembleias Diocesanas.

Hoje, ao aprovar o Plano Diocesano de Pastoral para os anos 2012 - 2014 queremos destacar alguns traços marcantes da nossa Diocese, que nunca podemos esquecer ou perder.

1. Devemos ser uma Igreja Povo de Deus. Deus nos salva, não de maneira individual, e sim de forma comunitária. Ele é o Bom Pastor que nos ama, chama, e envia. Somos seu povo e seu rebanho. Tudo é graça e gratuidade. Por isso nunca podem faltar-nos a gratidão do coração e a alegria da festa.

2. Devemos ser uma Igreja Orante. A Liturgia é fonte e cume, partida e chegada da vida cristã, pois proporciona o encontro vivo com Deus. Por isso queremos celebrar bem a Palavra do Senhor e os Sacramentos, valorizando o Domingo e as Solenidades. Também reconhecemos a importância da religiosidade popular, como expressão de espiritualidade e fé.

3. Devemos ser uma Igreja de Comunhão. Nossa Comunhão é com Deus Pai por Jesus Cristo no Espírito Santo. Comunhão com a Igreja Universal, a CNBB e o Regional Leste 1. Comunhão entre nós: bispo, padres, diáconos, consagrados e consagradas, leigos e leigas. Nossa relação deve ser de fraternidade e colaboração, nunca de competição e oposição. Precisamos assumir as orientações diocesanas com fidelidade e empenho, assim como necessitamos acolher com carinho as pessoas que vem de fora.

4. Nossa estrutura eclesial é organizada em comunidades eclesiais de base (CEBs), paróquias, regionais e diocese. Os Conselhos pastorais e administrativos possibilitam a participação e a organização, valorizando cada membro, no sentido de pertença eclesial e cidadã. A Família, célula base, deve receber uma atenção especial.

5. Devemos ser uma Igreja ministerial. A Diocese valoriza os ministérios ordenados assim como os ministérios não ordenados, todos eles assumidos não como cargos e privilégios pessoais, mas como serviços de amor. Insistimos na necessidade de uma boa formação inicial e permanente nas diferentes dimensões. Neste sentido o Seminário Paulo VI presta um excelente serviço. Sem diminuir a beleza e a necessidade da vocação de bispos-padres-diáconos, enaltecemos a importância dos leigos, sobretudo das mulheres, na vida da Igreja e da Sociedade.

6. Devemos ser uma Igreja evangelizadora e missionária. Estamos a serviço do Reino de Deus, anunciando a todos a verdade sobre Jesus Cristo. Portanto precisamos investir na Catequese permanente de estilo catecumenal. Os Círculos Bíblicos e as Novenas são meios eficazes de evangelização missionária. Nossas pastorais, movimentos, associações e serviços necessitam ter um forte cunho bíblico, missionário e ecumênico. Não podemos ser uma Igreja que se fecha em si mesma. É necessário e urgente responder ao apelo do Senhor: "Ide e anunciai o Evangelho a todas as criaturas".

7. Devemos ser uma Igreja solidária com os jovens, os pobres e os excluídos. Nossa Diocese conta com um número elevado de jovens. Precisamos dedicar-lhes cuidado e carinho, para que, rejeitando posturas erradas, tenham meios de inserir-se na vida social e eclesial. Necessitamos olhar com atenção para pobres, carentes e excluídos, a fim de que sejamos uma Igreja Samaritana, por meio de obras de assistência, promoção humana e políticas públicas. Fortalecendo a Comissão da Caridade-Justiça-Paz, pretendemos estar ao lado de quantos procuram construir uma Baixada com dignidade, justiça e solidariedade para com todos, na defesa e proteção do Meio Ambiente, extirpando todas as formas de violência e implantando a paz que vem de Jesus.

Luzes a partir das DGAE da CNBB 2011-2015

8. A Assembleia Diocesana deste ano nos pede uma reflexão sobre a Comunidade como lugar de perdão, participação e festa. Desde o Concílio Vaticano II o termo "Comunidade" foi recuperado pela Igreja para falar de sua essência e organização. É bom lembrar que no próprio uso da palavra "Comunidade" encontram-se inseridos conceitos fundamentais do que significa ser Igreja. No termo "Comunidade" valorizam-se as relações, as pessoas como sujeitos eclesiais, a participação ativa dos fiéis nas decisões e é também na Comunidade que o dom da Comunhão se toma visível no amor e na doação de todos os seus membros.

9. A comunidade é o lugar, o espaço em que o povo de Deus se encontra para vivenciar seus compromissos batismais. Desde o começo da caminhada da Igreja, os discípulos e discípulas de Jesus Cristo viviam sua fé comunitariamente, procurando testemunhar juntos a vida nova que assumiram no batismo. Como dizem as novas DGAE, n. 14 "Não há como ser verdadeiro discípulo missionário sem o vínculo efetivo e afetivo com a comunidade dos que descobriram fascínio pelo mesmo Senhor".

10. Nossa Igreja Diocesana, nesta Assembleia, deseja enfrentar o imenso desafio colocado pela época em que vivemos, inspirando-se nas cinco urgências apontadas pelas novas Diretrizes Gerais da Igreja no Brasil:

11. Igreja em estado permanente de missão - A Igreja é essencialmente missionária. Trata-se de suscitar em cada batizado e em cada Comunidade eclesial essa consciência. O desafio missionário também nos leva a repensar nossas estruturas e planos pastorais, em resposta à convocação feita pelo Documento de Aparecida pedindo uma conversão pastoral, através da qual se ultrapassam os limites de uma pastoral de mera conservação para uma pastoral decididamente missionária (DAp n. 365).

12. Igreja: Casa da iniciação à vida cristã - A formação para a vida cristã é um dos grandes desafios que questiona a fundo a maneira como estamos educando na fé e como estamos alimentando a experiência cristã. Urge desenvolver em nossas comunidades um processo de iniciação à vida cristã que conduza a um encontro pessoal cada vez maior com Jesus Cristo. É preciso ajudar as pessoas a conhecer Jesus Cristo, fascinar-se por Ele e optar por segui-lo.

13. Igreja: lugar de animação bíblica da vida e da pastoral - Vinculado à iniciação à vida cristã, o atual momento da ação evangelizadora convida o discípulo missionário a redescobrir o contato pessoal e comunitário com a Palavra de Deus como lugar privilegiado de encontro com Jesus Cristo. Trata-se de redescobrir que o contato profundo e vivencial com as Escrituras é condição indispensável para encontrar a pessoa e a mensagem de Jesus Cristo e aderir ao Reino de Deus.

14. Igreja: comunidade de comunidades - As paróquias têm um papel fundamental na evangelização e precisam tornar-se sempre mais comunidades vivas e dinâmicas de discípulos missionários de Jesus. A setorização da paróquia pode favorecer o nascimento de comunidades, pois valoriza os vínculos humanos e sociais. Assim, a Igreja se faz presente nas diversas realidades, vai ao encontro dos afastados, promove novas lideranças, e a iniciação à vida cristã acontece no ambiente em que as pessoas vivem.

15. Igreja a serviço da vida plena para todos - Ao longo de uma história de solidariedade e compromisso com as incontáveis vítimas das inúmeras formas de destruição da vida, a Igreja se reconhece servidora do Deus da Vida. O serviço testemunhal à vida, de modo especial à vida fragilizada e ameaçada, é a mais forte atitude de diálogo que o discípulo missionário pode e deve estabelecer com uma realidade que sente o peso da cultura da morte. É através da promoção da cultura da vida que os discípulos missionários de Jesus Cristo testemunham verdadeiramente sua fé.

16. Todas estas cinco urgências são importantes e necessárias para a missão. Não podemos fazer a escolha de uma em detrimento das outras. Uma boa imagem que traduz a relação entre estas cinco urgências é a da engrenagem. As cinco urgências funcionam como as peças de uma única engrenagem, bem articuladas umas com as outras, e tendo como óleo que a faz funcionar Jesus Cristo e o Reino de Deus.

A IGREJA QUE SOMOS

Análise da vida de nossas comunidades

Os questionários distribuídos às comunidades provocaram um olhar mais profundo sobre o estado atual de nossa Igreja diocesana. Percebemos que em nossas comunidades ainda acontecem alguns conflitos, que são ocasionados pelos seguintes motivos: modelo de igreja, luta pelo poder, questão de gênero, preconceitos, falta de comunicação, falta de uma maior formação de nossas lideranças, incapacidade de administrar conflitos e falta de autoestima. As luzes e sombras que emergiram serão apresentadas a seguir com o objetivo de aprofundarmos o conhecimento de nossa realidade e descobrirmos as respostas que devemos dar às questões levantadas.

I - COMUNIDADE: LUGAR DE PERDÃO

17. Atitudes como perdão e a reconciliação deveriam começar em casa e depois se estender para a comunidade eclesial. Na realidade nossas famílias sofrem com muitos conflitos, por exemplo: casais em crise, violência doméstica, drogas, irmãos que não se entendem e a não aceitação do diferente. Estes conflitos se refletem significativamente também nas relações humanas em nossas comunidades.

18. A vontade de reconciliação, em geral, está presente, porém, nem sempre é fácil. Há pessoas que não se falam na comunidade e nem buscam superar os conflitos ou as magoas através do perdão. Fecham-se e não dão abertura ao diálogo e ao entendimento. A primeira reação é se afastar da comunidade, deixar o ministério, e até mesmo ir para outra denominação religiosa. Outras se acham autossuficientes fazendo tudo sozinhas, não acolhem e nem aceitam ajuda, inclusive algumas lideranças agem assim.

19. Algumas pastorais ainda carecem de melhor formação e informação sobre a nova proposta da Igreja hoje e da sacralidade da reconciliação. O apego ao poder e as atitudes prepotentes que algumas de nossas lideranças ainda cultivam prejudicam o trabalho em conjunto e não abrem espaço para novas pessoas. Muitos não conseguem pensar a ação pastoral em conjunto.

20. Algumas lideranças se esforçam para fazer o melhor e têm um bom trabalho em equipe a partir do conselho paroquial. Os padres têm procurado ajudar na reconciliação e também alguns lideres ajudam no diálogo. O exercício de liderança em todos os níveis também não é fácil entre nós. Percebemos a necessidade de uma busca contínua do equilíbrio em vista de aprimorar nossas atitudes.

21. Certo ativismo e sobrecargas permeiam as lideranças, sejam clérigos ou leigos. Isso impede uma atenção mais personalizada aos membros das comunidades, algo muito necessário em nossos dias.

22. Também sentimos que as comunidades mais distantes, localizadas nas periferias ou zonas rurais de nossos municípios, requerem um pouco mais de atenção.

23. Na maioria das comunidades, os assuntos são discutidos e resolvidos dentro do conselho em prol do bem estar da comunidade e de seus membros, no desejo de construir a comunhão. No entanto existem alguns limites como a falta de comunicação entre as pastorais e a dificuldade de uma pastoral de conjunto organizada; a superação de certa rivalidade entre membros das comunidades quando se têm eventos maiores ou se vai decidir algo importante para todos.

A IGREJA QUE QUEREMOS SER

Propostas para a ação pastoral

II - COMUNIDADE: LUGAR DE PERDÃO

"Senhor, até quantas vezes tenho de perdoar a meu irmão? Até sete vezes? Respondeu Jesus: Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete" (Mateus 18,21-22).

24. Recuperar o sentido do sacramento do perdão de Deus e valorizar também as celebrações penitenciais tanto para a vida pessoal quanto para a comunitária, redescobrindo a dimensão penitencial e a mística evangélica do perdão que é conatural à vida de comunidade.

25. Despertar e investir na formação humana dos agentes de pastorais, aprofundando o estar a serviço, conforme a proposta de Jesus em Mt 20, 25-27. Priorizar o respeito no relacionamento humano e cristão entre as pessoas, especificamente os ministros ordenados, coordenadores de comunidades, funcionários das paróquias e das casas diocesanas, a fim de amadurecer a consciência comunitária.

26. Aproveitar o tempo da Quaresma e do Advento para celebrar o dia diocesano da reconciliação em todos os níveis (família, comunidade, diocese, sociedade). Fomentar em nossas comunidades uma prática cotidiana do perdão e que os movimentos e pastorais celebrem mais vezes momentos de reconciliação.

27. Buscar pessoas que tenham o carisma de facilitar a conciliação e que possam ajudar a superar as situações de tensões e conflitos na comunidade. É bom lembrar que todos os Ministérios devem estar a serviço da reconciliação.

28. Buscar e resgatar aqueles que se afastaram por diferentes motivos.

29. Buscar meios para que toda a comunidade se torne acolhedora, aprimorando a pastoral da acolhida a fim de que saibamos acolher os excluídos e marginalizados, os que caminham conosco, os que chegam, os que buscam os sacramentos, os que se afastaram por não entenderem ainda o sentido de viver em comunidade.

30. Criar nas paróquias "espaço de escuta e aconselhamento", onde as pessoas possam partilhar suas dores, alegrias e esperanças.

A IGREJA QUE SOMOS

Análise da vida de nossas comunidades

III - COMUNIDADE - LUGAR DE PARTICIPAÇÃO

31. Nossa Diocese sempre investiu nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). Hoje percebemos que somos uma rede de quase 400 comunidades. Isso nos alegra, mas não esconde os desafios que vivenciamos na nossa missão de anunciar Jesus Salvador.

32. Existe em nossas comunidades o perigo de fechamento em si mesmas, separando a fé da vida e esquecendo o compromisso missionário. Em algumas situações, não existe diálogo nem abertura madura e transparente, que permita uma pastoral de conjunto.

33. As comunidades menores se sentem inseguras e sem condição de interagir com uma religiosidade individualista e intimista que alguns movimentos, através dos meios de comunicação, difundem no meio do povo. As comunidades maiores em alguns casos tornam-se um conjunto de grupos que vivem e propõem espiritualidades diferentes.

34. Percebemos, depois das Santas Missões populares em preparação ao Jubileu Diocesano, certo cansaço e esfriamento no compromisso missionário. Em consequência, existem ambientes onde não há uma presença mais efetiva de Igreja, como por exemplo: novos conjuntos habitacionais, universidades, escolas, carceragens e delegacias.

35. Onde existe o Conselho Comunitário percebemos um efetivo protagonismo dos leigos nas decisões pastorais e administrativas. A diocese já dispõe de documentos que regulamentam os conselhos administrativos, comunitários, paroquiais e regionais. Deveriam ser assumidos, em todas as instâncias, pois os Conselhos são instrumentos do trabalho em conjunto e de tomada de decisões mais participativas nas esferas pastorais e administrativas.

36. Observamos que nossas comunidades cultivam uma espiritualidade que une fé e vida, concretizada na aplicação do método pastoral ver-julgar-agir-celebrar-avaliar.

37. Nossas comunidades realizam inúmeros trabalhos sociais, mas eles ainda não são bem divulgados, articulados e conhecidos. Ao mesmo tempo, algumas comunidades não têm interesse nas questões sociais mais amplas como a participação na formação política ou nos conselhos paritários. Neste último triênio a Diocese incentivou a articulação das Pastorais Sociais através do Ministério da Caridade. Dentre as iniciativas mais recentes destaca-se a criação de comitês para acompanhamento das Câmaras de Vereadores e participação nos Conselhos Municipais.

38. A participação nos diversos serviços diocesanos e regionais é prejudicada pela falta de comunicação, de interesse e de motivação de alguns agentes que, representando suas comunidades, pastorais e movimentos, não conseguem transmitir de forma fiel os encaminhamentos.

A IGREJA QUE QUEREMOS SER

Propostas para a ação pastoral

IV - COMUNIDADE - LUGAR DE PARTICIPAÇÃO

"Eu lhes peço, irmãos: em nome de nosso Senhor Jesus Cristo mantenham-se de acordo uns com os outros, para que não haja divisões. Sejam estreitamente unidos no mesmo espírito e no mesmo modo de pensar." (1 Cor 1,10).

39. Cuidar para que em todas as comunidades e paróquias existam e funcionem os conselhos, como instrumento de trabalho em conjunto e de tomada de decisão mais participativa nas esferas pastorais e administrativas.

40. Assumir em nossa diocese a Catequese de iniciação a vida cristã em estilo catecumenal, que leve a pessoa ser discípulo missionário. Priorizar os Círculos Bíblicos como fonte de espiritualidade e orientação para a iniciação à vida cristã.

41. Incentivar a formação bíblica para todos os membros de pastorais, ministros, lideranças de comunidades. Oferecer retiros e formação com dinâmica, oficinas, laboratórios, incluindo os membros dos conselhos comunitários, especificamente para saber como trabalhar em equipe.

42. Planejar um processo de formação continuada para aqueles que atuam nas diferentes pastorais, movimentos e grupos, a fim de contribuir para ter agentes mais preparados para os desafios eclesiais e sócio-políticos. 43. Dinamizar uma ação evangelizadora que integre os diferentes Conselhos (Comunitários, Paroquiais, Regionais e Diocesanos) articulando-os numa verdadeira Pastoral de Conjunto.

44. Tornar a comunicação mais eficiente, partilhada e animada em nossas comunidades, a partir do que já existe e utilizando outras formas ou instrumentos.

45. Ter sempre planejamento, prioridades e transparência no setor financeiro, valorizando o trabalho da Pastoral do Dízimo, dos tesoureiros e das equipes administrativas.

46. Planejar uma Pastoral Urbana que se concretize numa ação missionária que atinja os ambientes onde não existe uma presença da Igreja, dando maior atenção às escolas, universidades, novos conjuntos habitacionais, hospitais e casas de detenção.

47. Priorizar a criação de novos núcleos missionários.

48. Promover, através dos Conselhos Comunitários, momentos de reflexão sobre os fatos principais que acontecem nos bairros (diagnóstico local) e possíveis atitudes a serem desenvolvidas para melhorar a vida das pessoas.

49. Junto à teologia pastoral do Seminário Paulo VI, oferecer formação teológica aos leigos também nos regionais.

50. Organizar cursos de formação política nos regionais, a fim de motivar a participação mais significativa na sociedade.

51. Organizar encontros para troca de experiências, como espaços de planejamento, formação, celebração, avaliação, a fim de valorizar, divulgar e fortalecer as iniciativas das pastorais sociais.

52. Incentivar o protagonismo dos leigos e leigas, valorizando suas contribuições nas áreas de suas especialidades profissionais.

53. Instituir a Equipe Diocesana das Pastorais Sociais, com dois representantes de cada regional, que possa contribuir na organização e articulação das Pastorais Sociais junto aos Regionais, em comunhão com a Comissão Diocesana de Caridade, Justiça e Paz.

54. Incentivar o compromisso dos padres, diáconos, consagradas, consagrados e seminaristas para as questões sociais e políticas.

55. Enviar para representar as pastorais e movimentos pessoas que se identifiquem com o serviço indicado.

A IGREJA QUE SOMOS

Análise da vida de nossas comunidades

V - COMUNIDADE - LUGAR DE FESTA

56. Somos Igreja, povo de Deus, reunido em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. O que somos e o que fazemos adquirem um sentido diferente porque tudo é feito diante de Deus. É pela fé que nos reunimos, partilhamos a vida e assumimos compromissos concretos em vista da transformação do mundo em que estamos. Refletindo melhor sobre a celebração do que acreditamos e vivemos, nossas comunidades concluíram o seguinte:

57. Em nossas comunidades, a liturgia tem assumido cada vez mais a expressão de uma festa participativa. Uma Pastoral Litúrgica sólida e permanente contribui para isso. Porém, também somos conscientes que em nossas comunidades nem todas as pessoas estão atentas à dimensão celebrativa da vida cristã. Ainda há muito improviso na liturgia. Preparar os momentos litúrgicos envolve a todos num clima de participação ativa, onde os esforços, a alegria, o perdão, a boa amizade e a solidariedade tenham destaque. As nossas comunidades necessitam se preocupar sempre mais em consolidar seu jeito de celebrar.

58. É bom lembrar que o silêncio é também litúrgico. Frequentemente, vozes misturadas e barulhos diversos dificultam a boa celebração litúrgica como festa.

59. Alguns desafios persistem entre nós. Observamos que não é suficiente colocar em destaque pessoas bem treinadas nas normas litúrgicas. É preciso antes de tudo crescer na vivência comunitária.

60. Percebemos que os padres e diáconos, às vezes com muita pressa, presidem a celebração preocupados com o próximo compromisso que têm e sem maior integração com a Equipe Litúrgica. Muitas vezes, também não procuramos resgatar os acontecimentos na vida da comunidade, nem preparar com antecedência as celebrações mais importantes.

61. Algumas comunidades precisam cuidar melhor dos leitores e animadores das celebrações, como também precisam melhorar a maneira de comunicar os avisos, recados e mensagens no final das celebrações.

62. A celebração das lutas na caminhada não é muito contemplada no espaço evangelizador, celebrativo e missionário.

63. Nem todas as comunidades investem financeiramente para a aquisição de material litúrgico e formação das equipes.

64. O uso do folheto "O Domingo" precisa ser avaliado, pela sua ajuda, necessária ou não, nas celebrações litúrgicas, pelo seu custo financeiro e também pela preocupação ecológica, devido ao desperdício de papel.

65. Com relação aos eventos e festas das comunidades, em geral, estes são primeiramente pensados e discutidos entre os diversos grupos: grupos de festas e eventos, administração e tesouraria, representantes das diversas pastorais e movimentos. Na maioria das vezes, são os conselhos comunitários e paroquiais que definem depois os detalhes e assumem sua organização. Fica claro que o primeiro sentido das festas comunitárias não é angariar dinheiro e sim criar entre seus membros sentimentos de fraternidade, partilha e amizade.

66. Na dimensão festiva e celebrativa, nossas comunidades procuram valorizar e incentivar o surgimento de grupos, talentos e dons artísticos pessoais e locais. Existem muitas pessoas e grupos talentosos à nossa volta. Apenas em grandes eventos é que se contratam profissionais.

A IGREJA QUE QUEREMOS SER

Propostas para a ação pastoral

VI - COMUNIDADE - LUGAR DE FESTA

"Louvem a Javé, porque ele é bom. Toquem ao seu nome, porque é agradável." (Sl 134,3).

67. Investir mais na Mística e na Espiritualidade Pascal em nossas comunidades. A vida celebrativa da Comunidade deve sempre levar ao encontro pessoal e comunitário com Jesus Cristo, centro da ação litúrgica.

68. Incentivar a formação da Pastoral Litúrgica nas paróquias e, onde ela já existe, valorizá-la para que funcione de fato. Uma boa celebração pede formação e preparação.

69. Celebrar melhor o Domingo como o Dia do Senhor e encontro da vida, do dialogo, da alegria, da festa e participação do povo de Deus nas comunidades, inclusive como espaço criativo e artístico comunitário.

70. Nossas liturgias devem traduzir nossas lutas e vitórias que alimentem a fé e fortaleçam nossa esperança.

71. Investir em cursos de comunicação litúrgica.

72. Incentivar sempre a equipe de celebração e a formação de cantores, salmistas, animadores e instrumentistas.

73. Proporcionar formação litúrgica voltada para jovens e crianças.

74. Participar e celebrar nas novas áreas de missão de hoje, espaços que nos desafiam como Igreja. A Missa continua com a missão. Numa cultura com sinais de morte e violência, é preciso levar a mensagem da Ressurreição à sociedade.

75. Rever a nossa maneira de celebrar e procurar os meios mais adequados para melhor participação da assembleia litúrgica.

76. Organizar bem as festas e eventos das comunidades, unindo a dimensão religiosa, comunitária e de lazer.

COMO FAZER

PROPOSTAS PARA O TRIÊNIO 2012-2014


1- Promover a animação bíblica em toda a pastoral.
2- Organizar a pastoral da Acolhida, da Escuta e do Aconselhamento.
3- Fortalecer as Comissões Pastorais.
4- Formar as Lideranças.
5- Realizar formação litúrgica nas Paróquias.
6- Promover a Pastoral Missionária Urbana.
7- Priorizar a Juventude.
8- Articular a Dimensão Social.
9- Sinalizar a localização das Igrejas.
10- Criar escola diocesana de música e canto litúrgico.
11- Assumir a defesa e promoção ecológica e do Bem Viver.

COMPROMISSOS DIOCESANOS PARA O ANO DE 2012


1. Pascom
2. Campanha da Fraternidade 2012 - Tema: Saúde.
3. Eleições Municipais.
4. 5ª Semana Social.
5. Congresso Missionário Nacional em Palmas-TO.
6. Preparação da Jornada Mundial da Juventude.
7. Congresso da Pastoral Familiar.
8. Conferência Rio + 20
9. Celebrar e vivenciar o Concílio Vaticano II

COMPROMISSOS DIOCESANOS PARA O ANO DE 2013


10. Campanha da Fraternidade 2013 - Tema: Juventude.
11. Jornada Mundial da Juventude
12. Reestruturação diocesana das comunidades, paróquias e regionais.
13. Ano Vocacional Diocesano.
14. Celebrar e vivenciar o Concílio Vaticano II

COMPROMISSOS DIOCESANOS PARA O ANO DE 2014


15. Campanha da Fraternidade 2014
16. Eleições estaduais e nacionais.
17. Formação dos Ministros.
18. Preparação para a Assembleia Diocesana.
19. Copa do Mundo
20. Celebrar e vivenciar o Concílio Vaticano II